sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Sulfato de magnésio, corioamnionite e desenvolvimento neural depois do parto prematuro

Sulfato de magnésio, corioamnionite e desenvolvimento neural depois do parto prematuro
Uma pesquisa publicada no BJOG, teve por objetivo avaliar o efeito neuroprotetor do sulfato de magnésio (MgSO4) em prematuros expostos à corioamnionite. Seus autores, Kamyar et al., realizaram uma análise secundária de um estudo controlado randomizado e multicêntrico de MgSO4 pré-natal administrado a mulheres com risco de parto prematuro para a prevenção da paralisia cerebral (PC).
Este foi um estudo controlado randomizado e multicêntrico. Foram selecionadas gestações únicas sem anomalias, com corioamnionite clínica e parto a ≥24 semanas de gestação. Os casos foram expostos a MgSO4 pré-parto; os controles receberam placebo.
A equipe indica que todos os dados foram analisados ??na população por intenção de tratar. Foram feitas análises de uma e múltiplas variáveis. O parâmetro principal de avaliação foi um composto de nascido morto, morte na idade de 1 ano ou PC  moderada ou grave na idade de 2 anos.
Os parâmetros secundários incluíram um composto de resultados neonatais bem como também retardo no desenvolvimento neurológico, definido como índice de desenvolvimento mental e psicomotor de Bayley II <70 aos 2 anos de idade.
Mediante análises de subgrupos foram avaliados estes parâmetros em crianças nascidas com <28 semanas de gestação. Um total de 396 crianças foi incluído e 192 (48,5%) foram randomizados a MgSO4. As características maternas e do parto foram similares entre os grupos.
Os pesquisadores mencionam que se apresentou o principal parâmetro em 14,1% das crianças expostas a MgSO4 e em 12,7% das crianças expostas ao placebo (risco relativo (RR1,29; IC 95% 0,70 - 2,38).  As taxas de nascidos mortos, PC moderada a grave e atraso no desenvolvimento neurológico não foram diferentes entre os grupos. Nas análises de subgrupos de recém-nascidos a <28 semanas de gestação, não foram observadas diferenças nas taxas do parâmetro principal nem os parâmetros secundários que foram avaliados.
Após a publicação on-line do estudo, foi adicionada uma correção, já que através do artigo ocorreram erros nas análises de dados estatísticos que foram corrigidos. Entre as crianças em risco de parto prematuro precoces exposto a corioamnionite, a administração pré-natal de MgSO4, não se associou com um melhor resultado do desenvolvimento neurológico.
Finalmente, os autores não recomendam modificação nas diretrizes sobre administração de MgSO4 para proteção neurológica com base neste estudo. O MgSO4 não foi associada com melhores parâmetros de desenvolvimento neurológico no contexto da corioamnionite.  
Fonte: Medcenter

Penumbra torna o parto mais tranquilo, demonstra pesquisa

Penumbra torna o parto mais tranquilo, demonstra pesquisa
A dor do parto é tida como uma das mais difíceis de enfrentar, apesar de passageira. As mulheres de modo geral ficam muito apreensivas com esse momento e, no fundo, sonham com um lenitivo na hora do parto. Estudos têm sido feitos nessa direção. Uma pesquisa de mestrado recentemente apresentada à Faculdade de Enfermagem (FEnf) apurou que a baixa iluminação na sala do procedimento pode favorecer a fisiologia do parto normal e abreviar esse sofrimento. A conclusão é da enfermeira obstetra Michelle Gonçalves da Silva.
Segundo a pesquisadora, alguns estudos reportam que a iluminação ativa o neocórtex, que é o lado do raciocínio, da inteligência. “Na hora do parto, é preciso que ocorra justamente o contrário: desativar o neocórtex e ativar o córtex primal, ou seja, aquele do lado animal, para que a gestante consiga expulsar o bebê.”
As mulheres chegam com muito medo ao hospital e isso inibe a ativação do córtex primal. Acabam liberando adrenalina, ao invés de liberar a ocitocina (hormônio natural do parto), ficando em estado de vigilância, prontas para reagirem.
“Constatamos que, quando as luzes são apagadas, é possível resgatar o córtex primal, ativá-lo e liberar mais ocitocina, permitindo que o parto flua mais naturalmente”, disse.
Michele acredita que seu estudo poderá contribuir muito para a expansão do conhecimento na área de Obstetrícia, pois infelizmente o Brasil ainda se sobressai como recordista mundial em cesarianas e existem inúmeros relatos de violência obstétrica hoje.
Que influência teria a iluminação da sala de parto nas reações emocionais das parturientes? A enfermeira avaliou isso a partir de sua vivência pessoal. Ela faz partos diariamente e, além disso, está grávida pela primeira vez – de gêmeos. Percebeu que a mulher que tinha filho em um ambiente com menos iluminação, de penumbra, conseguia ter um parto mais tranquilo.
Michelle estudou um sistema que codifica expressões pelos movimentos dos músculos da face, batizado como Facial Action Coding System (Facs). Esse sistema foi desenvolvido pelos pesquisadores norte-americanos Paul Ekman e Wallace Friesen, os inventores do detector de mentiras moderno. Paul e Wallace idealizaram essa ferramenta para ser aplicada em diversas áreas do conhecimento. Michelle viu nisso terreno propício para avaliar quais emoções as gestantes estariam sentindo quando o bebê nascia.
Para isso, a enfermeira teve que se submeter a uma prova elaborada pelos autores da Facs para saber se estaria apta a utilizar esse sistema que atuaria como coadjuvante do parto. Estava. É a primeira brasileira certificada a fazer uso dessas codificações faciais.
Emoções
Michelle filmou 95 gestantes durante e após o parto, divididas em dois grupos: as que foram filmadas num ambiente com luzes acesas e as que foram filmadas num ambiente com luzes apagadas, ficando aceso apenas o foco cirúrgico voltado para o períneo da mulher. Os partos aconteceram no Hospital “Alípio Ferreira Neto”, periferia de São Paulo. Esse hospital possui um modelo tradicional em que as mulheres são acompanhadas no pré-parto e, na hora de darem à luz, são levadas para a sala de parto.
As filmadoras escolhidas capturavam com acurácia as imagens em ambiente de penumbra, que passavam pelo sistema de codificação facial para estabelecer as emoções (medo, raiva, nojo, alegria, tristeza e surpresa) das mulheres no momento do expulsivo.
Somente se codificam as reações, e esses códigos podem ser empregados em várias situações, até mesmo num jogo de arremessos, por exemplo. Filma-se a fisionomia do jogador e é possível fazer sua codificação facial, estabelecendo as emoções que sentiu. No caso das parturientes, essa ferramenta nunca havia sido usada para esse propósito.
“Manualmente, congelamos a imagem, a cada segundo, quatro vezes. A seguir, avaliamos o movimento dos músculos da face, chegando a uma predefinição. Se a emoção sentida foi raiva, a imagem vai para o software dos autores-inventores e ajuda a colocar a codificação final por meio de uma imagem semelhante. Se corresponderem, a codificação é raiva mesmo”, explicou.
Algumas mulheres passaram por cinco a sete minutos de filmagem, outras por 15 a 40 minutos. Contudo, independentemente do tempo que permaneceram na sala de parto, as mulheres fizeram a mesma sequência de emoções: medo, surpresa, raiva, alegria. “A diferença esteve mesmo na iluminação. Quando o ambiente era todo iluminado, elas demoravam mais em seu tempo de emoção, porque às vezes apareciam também nojo e tristeza misturados. É como custasse para engatar a surpresa e a raiva”, averiguou.
Em seu projeto, Michelle verificou principalmente duas emoções que estavam presentes no ato da mulher conceber: a “surpresa”, que atua como um gatilho para a “raiva”, que é a emoção mais comum no parto. Mas como raiva? A autora esclareceu que essa é a emoção mais primitiva que o ser humano tem e que parir é o ato mais primitivo de que se tem notícia.
De acordo com a enfermeira, a mulher entra numa sala de parto com medo. Depois oscila entre nojo e tristeza. “Quando sente surpresa, é como se resgatasse o lado animal e sentisse raiva. É nessa hora que ela consegue expulsar o bebê. Por isso esse sentimento é muito importante para o nascimento”, salientou.
O ambiente com baixa luminosidade proporciona uma sequência de emoções sem quase interferências, mencionou. A gestante consegue ter todas essas emoções mais rapidamente. Quando existe iluminação, talvez ela se sinta observada, não conseguindo resgatar seu lado primitivo tão facilmente quanto o ambiente de penumbra.
“Para nossa grande felicidade, em ambos os grupos foi interessante perceber que, após o nascimento, 100% das mulheres exprimiram alegria, por mais dificultoso e sofrido que tenha sido o parto”, constatou.
Humanização
Em estudos recentes, relata-se sucintamente e de forma qualitativa que a penumbra favorece a humanização do parto. Há estudos também que descrevem qualitativamente, por verbalizações das mulheres, as emoções que sentiram no parto. Mas nunca houve um estudo que codificasse essas emoções. “O ambiente com baixa luminosidade traz uma fisiologia melhor ao parto. Não precisa intervir tanto e não ocorre interferência de outras emoções. A mãe consegue desencadear surpresa, raiva e alegria muito mais naturalmente”, notou a autora.
O estudo de Michelle foi feito apenas com mulheres que tiveram parto normal, mesmo porque, na cesariana, há uma intervenção muito extensa (sete camadas de pele são cortadas) e não há como apagar as luzes durante esse procedimento.
O sistema que Michele usou pode ser adotado em psiquiatria, criminalística, com pacientes em coma, com bebês e em qualquer situação na qual se queira medir uma emoção, desde que se consiga filmar a fisionomia.
A enfermeira salientou que esse sistema é o mesmo do detector de mentiras, mas que o detector é um avanço da pesquisa desses autores norte-americanos com a Facs. A novidade é que Michelle incorporou a etapa de codificação das emoções.
“Os autores da Facs se mostraram interessados neste estudo, uma vez que o sistema deles nunca havia sido aplicado à saúde da mulher e nem à Obstetrícia”, revelou a autora. “Hoje a Facs está tão difundida em vários tipos de pesquisa e de diversas áreas que já foi montado um grupo nos Estados Unidos que somente elucida emoções e codificação da ação dos músculos que geram as emoções.”
Fonte: EBC

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

GESTANTE X VIROSE

Como as infecções virais em gestantes prejudicam seus filhos

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A ativação imunológica materna atrapalha o desenvolvimento neural e pode aumentar o risco de autismo.
Ativação do sistema imunológico na gestante atrapalha o desenvolvimento das células neurais do feto e prejudica a transmissão de sinais. Este é o resultado de um estudo publicado no "Journal of Neuroscience".
No estudo, os cientistas compararam o cérebro de crias de camundongos e ratos cujos sistemas imunológicos haviam sido ativados, e de animais sem ativação imunológica prévia. As crias de roedores expostos a infecções virais apresentaram níveis mais altos de MHCI (complexo de histocompatibilidade principal).
"Esta é a primeira evidência de que os níveis de MHCI na superfície de neurônios corticais jovens nos fetos são alterados pela ativação imunológica materna", disse a autora sênior Kimberley McAllister da Universidade da Califórnia (EUA).
Devido ao alto nível de MHCI, a capacidade de formação de sinapses dos neurônios fica prejudicada. Resultados de pesquisas anteriores sugeriram que isso pode desencadear transtornos do espectro autista e esquizofrenia. Contudo, de acordo com McAllister, quando o MHCI foi reduzido a um nível normal, a densidade de sinapses voltou.
Mas o MHCI recebeu apoio na limitação do desenvolvimento de sinapses – a saber, pela enzima calcineurina e pela proteína Mef2 (fator de potencialização de miócitos 2). Essa via de sinalização não era conhecida.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Baixos níveis de hormônios sexuais estão associados com dor musculoesquelética crônica em mulheres idosas                


Os hormônios sexuais produzidos pelas gonadas têm efeitos em diversos tecidos que são sensíveis à sua ação, através da ação de receptores específicos.
Os hormônios sexuais são caracterizados do ponto de vista físico-químico por sua lipofilia que permite por difusão simples a passagem através membrana celular.
Roxana Silva et al. em seu artigo publicado pela Revista de Farmacología de Chile, informa que a localização celular dos seus receptores é primariamente citoplasmática, produzindo diversos efeitos fisiológicos como o crescimento, diferenciação e regulação dos órgãos do sistema reprodutor.
No entanto, os autores mencionam que outros tecidos reprodutivos como fígado, ossos, músculos e cérebro também são sensíveis à ação dos hormônios sexuais.
Na mulher, o estrogênio mais abundante e potente é o 17β‐estradiol (E2) e suas principais ações biológicas são mediadas por receptores específicos do tipo alfa (ERα) e beta (ERβ).
Outro grupo de pesquisadores argumenta que as diferenças nos níveis de hormônios sexuais pode causar dor crônica, o que é mais prevalente em mulheres do que em homens e com o avanço da idade aumenta a diferença entre gêneros.
Marjolein de Kruijf et al. realizaram um estudo publicado em Pain, que analisou a relação entre os hormônios sexuais e a prevalência e incidência de dor crônica.
Examinaram a associação entre os níveis de hormônios sexuais e dor crônica em 9.717 participantes acima de 45 anos, no Estudo Rotterdam, um estudo populacional.
Os pesquisadores definiram dor crônica como dor lombar, dores nas mãos, joelhos e/ou quadris durante pelo menos 3 meses.
Os hormônios sexuais incluíram estrogênio, testosterona, androstenediona e 17-hidroxiprogesterona.
Foram analisadas as relações entre hormônios e dor crônica prevalente e de início recente, mediante regressão linear e logística, estratificada por gênero.
As mulheres com níveis de androstenediona ou estradiol no menor percentil apresentaram mais dor crônica.
Mencionam ainda que os níveis médios de estradiol foram menores entre os homens com dor crônica.
O menor percentil de 17-hidroxiprogesterona em mulheres foi associado a 38% mais de dor de início recente.
Todas essas associações foram independentes da idade, índice de massa corporal, fatores de saúde e estilo de vida, e osteoartrite.
Os níveis mais baixos de hormônios sexuais foram associados com dor musculoesquelética crônica, independentemente do estilo de vida e fatores relacionados com a saúde em mulheres idosas da comunidade.
Assim, os autores concluem que suas descobertas sugerem que os hormônios sexuais desempenham um papel na dor crônica e devem ser considerados quando um paciente apresenta dor crônica.
Por conseguinte, os hormônios sexuais podem ser um alvo potencial de tratamento nestes pacientes.  

Referências:
Marjolein de Kruijf et al, Lower sex hormone levels are associated with more chronic musculoskeletal pain in community-dwelling elderly women. Pain. July 2016 - Volume 157 - Issue 7 - p 1425–1431 doi: 10.1097/j.pain.0000000000000535
Roxana Silva et al, Rol de las hormonas sexuales sobre circuitos dopaminérgicos cerebrales. Revista de Farmacología de Chile (2014) 7(1): 7

DIABETES X AMAMENTAÇÃO 

O centro de Estudos Interdisciplinar alemão do Helmholtz Zentrum München apresentou estudo sobre o metabolismo das mulheres com diabetes gestacional após o parto. Junto com parceiros da Universidade Técnica de Munique (TUM, Technical University of Munich) e o Centro Alemão de Pesquisa de Diabetes (DZD, German Center for Diabetes Research) foram capazes de demonstrar que o aleitamento materno por mais de 3 meses provoca alterações metabólica em longo prazo. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Diabetologia.
Aproximadamente 4% de todas as mulheres grávidas na Alemanha desenvolvem diabetes gestacional antes do nascimento de seu filho. Embora inicialmente os seus níveis de glicose no sangue voltam ao normal após o parto, 1 em cada 2 mães afetadas desenvolve diabetes tipo 2 dentro dos 10 anos seguintes.
Embora tenha sido demonstrado que a amamentação pode reduzir este risco em 40% das mulheres, as razões para isso, todavia seguem sem ser compreendidas.
Em um estudo anterior, os pesquisadores liderados pela professora Anette-Gabriele Ziegler, diretora do Instituto de Pesquisa de Diabetes (IDF, Institute of Diabetes Research) no Helmholtz Zentrum München, demostraram que a amamentação por mais de 3 meses após o parto tem um efeito protetor que dura até 15 anos após a diabetes gestacional.
Em seu estudo mais recente investigou se o metabolismo poderia ser responsável por isto.
Em sua análise, os cientistas examinaram cerca de 200 pacientes que haviam desenvolvido diabetes gestacional.
As participantes do estudo receberam uma solução de glicose padrão e se obteve uma amostra de sangre em jejum antes e depois do teste. Em seguida, os cientistas compararam as amostras com base em 156 metabólitos diferentes conhecidos. Em média, as mulheres tinham dado à luz há 3 anos e meio antes.
"Notamos que os metabólitos nas mulheres que haviam amamentado por mais de três meses diferiram significativamente daqueles que haviam tido períodos mais curtos de amamentação", informa a principal autora Dra. Daniela Much do IDF.
"Os longos períodos de amamentação estão ligados com uma mudança na produção de fosfolípides e com concentrações mais baixas de aminoácidos de cadeia ramificada no plasma sanguíneo das mães".
Isto é interessante porque os metabólitos envolvidos estavam vinculados em estudos anteriores com resistência à insulina e diabetes tipo 2, explicam os autores.
"Os resultados do nosso estudo fornecem novos conhecimentos sobre as vias metabólicas relacionadas com as doenças que são influenciadas pela amamentação e, portanto, poderiam ser a razão do efeito protetor", conclui a Dra. Sandra Hummel, chefe do grupo de trabalho de Diabetes gestacional no IDF, que conduziu o estudo.
A amamentação, explica, é uma intervenção eficaz em termos de custos que visa reduzir o risco em longo prazo de desenvolver diabetes tipo 2 entre as mulheres com diabetes gestacional.
No futuro, os cientistas buscarão as formas de converter esse conhecimento em recomendações de tratamento concretas. "Em média, as mulheres com diabetes gestacional amamentam com menor frequência e por uma menor duração que as mães sem diabetes", disse Hummel. "Agora, o objetivo é desenvolver estratégias para melhorar o comportamento da amamentação das mães com diabetes gestacional".  
Referências:
Daniela Much et al, Lactation is associated with altered metabolomic signatures in women with gestational diabetes.Diabetologia, 2016; DOI: 10.1007/s00125-016-4055-8
Fonte: Science Daily


Zika: estudo sugere que a gestação poderia ser programada para reduzir os risco da Zika

 
Um novo artigo sugeriu que mulheres poderiam evitar a infecção pelo vírus da Zika nos primeiros três meses de gestação programando sua gravidez.
Um novo estudo sugere que mulheres poderiam evitar a infecção pelo vírus da Zika durante o período crítico da gestação programando os primeiros meses de gestação com os declínios sazonais da atividade do mosquito na região.
Escrevendo na revista PLOS Biology, Micaela Martinez, pesquisadora da Universidade de Princeton que estuda a sazonalidade de doenças, sugere que programar a gestação para que as 20 primeiras semanas coincidam com o período de baixa atividade sazonal do mosquito poderia oferecer às mulheres em países afetados pela Zika uma janela durante a qual elas poderiam conceber com segurança.
Alex Perkins, professor adjunto de ciências biológicas da Universidade de Notre Dame, diz que coordenar a concepção segundo as populações do mosquito seria, provavelmente, mais eficaz se somado a outras medidas preventivas contra o vírus da Zika, especialmente o controle dos mosquitos, mas que são necessárias mais pesquisas nesta área.
A publicação do estudo surge como a nova orientação publicada pelos Centres for Disease Control and Prevention (Centros de controle e prevenção de doenças) nos EUA para pessoas que viajaram para as imediações de Miami nas últimas semanas, depois de se descobrir que o vírus estava sendo transmitido lá por mosquitos locais. A recomendação é que todas as mulheres e todos os homens viajando para esta área esperem pelo menos oito semanas antes de tentar uma gravidez. Homens com sintomas da Zika devem esperar pelo menos seis meses antes de tentar engravidar sua parceira.
 
 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Hipertensão e diabetes: um perigo para grávidas

Caso não controladas as doenças podem prejudicar a saúde da mãe e do bebê


Hipertensão e diabetes um perigo para grávidas

A hipertensão é um problema sério e mais perigoso ainda durante a gestação. O aumento da pressão sanguínea diagnosticado durante a gravidez de mulheres que nunca haviam demonstrado o problema antes é classificado como doença hipertensiva específica da gestação (DHEG).
Esse é um dos distúrbios mais comuns em grávidas acima dos 35 anos e se apresenta de duas formas: como pré-eclâmpsia e eclâmpsia.

A pré-eclâmpsia é o aumento da pressão arterial acompanhada da eliminação de proteína pela urina. Normalmente, essa complicação começa depois da 20ª semana de gravidez.

Quando não tratada adequadamente, pode culminar na própria eclâmpsia, a reta final da doença, que se caracteriza pela pressão muito elevada escoltada de outros sintomas mais graves, como convulsões e inchaços. Nesse estágio da DHEG, a vida da mãe e do bebê entra em risco e a mulher pode perder o filho.
Os médicos ainda não sabem as causas específicas, mas sabe-se que a combinação de má alimentação, excesso de sal e falta de exercícios contribuam bastante para o aumento da pressão. Quando isso acontece, as futuras mamães sentem dores de cabeça e abdominal, visão comprometida com pontos brilhantes, inchaço em todo corpo. Sintomas que indicam a gravidade do problema.

Dá para controlar?
Depende. Nesse caso é preciso ficar de olho na alimentação e no ganho do peso. A dieta, por exemplo, deve ser rica em ácido fólico, já que esse nutriente tem ação vaso dilatadora, e pobre em sal, o gatilho para o disparo da pressão. Se mesmo com esses cuidados a pressão teimar em subir, aí os remédios anti-hipertensivos costumam ser necessários.

Hipertensão e diabetes
Outra agravante de não seguir uma gravidez saudável refere-se há possibilidade de a mulher adquirir o diabetes tipo 2. Além da presença da pressão alta, o diabetes favorecem o acúmulo excessivo de líquido amniótico, que pode distender demais a barriga da gestante, mortalidade fetal e malformações.
Por isso a importância de cultivar uma alimentação balanceada, rica em vitaminas e minerais. O cardápio deve vir fortalecido de frutas, verduras, legumes, hortaliças, carboidratos, proteínas e gorduras. Comer a cada três horas também evita crises de fome e de hipoglicemia.
Nesse período, as grávidas devem deixar de lado refeições com alimentos crus ou muitos condimentos ou temperos em cubinhos, que pioram os enjoos e agravam a hipertensão. Porque durante a gestação todo cuidado é pouco!